terça-feira, 19 de julho de 2011

I ENCONTRO NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DA POPULAÇÃO NEGRA E DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS Alimentação adequada e saudável: direito de todas e todos

I - IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
Título: I Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional da População Negra e dos Povos e Comunidades Tradicionais - Alimentação adequada e saudável: direito de todas e todos
Data da Realização: 8 a 10 de agosto de 2011
Local: Município de Serra – grande Vitória – ES
Área de Abrangência: Nacional.

II – INTRODUÇÃO
O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) é um órgão de articulação entre governo e sociedade civil na proposição de diretrizes para a área da alimentação e nutrição. Desempenha a atribuição de assessorar o Presidente da República na formulação de Políticas para que o país garanta o Direito Humano à Alimentação Adequada. O CONSEA está organizado em Comissões Permanentes e Grupos de Trabalho, responsáveis pelo aprofundamento dos temas debatidos e encaminhados pelo Plenário.
O CONSEA possui 06 Comissões Permanentes, entre elas a CP5, denominada de Comissão Permanente de Segurança Alimentar das Populações Negras e Povos e Comunidades Tradicionais, criada a partir do entendimento que a organização da sociedade é uma condição essencial para as conquistas sociais e a superação definitiva da exclusão social. Esta Comissão é formada por organizações da sociedade civil e órgãos federais que tem como objetivo principal incorporar a temática étnico/racial e o reconhecimento das especificidades dos Povos e Comunidades Tradicionais, assim como construir a Política de Segurança Alimentar e Nutricional em nosso país.
A Comissão Permanente de Segurança Alimentar e Nutricional das Populações Negras e Povos e Comunidades Tradicionais, desde sua criação, trabalha para que o Brasil reconheça:
·         A vulnerabilidade social e a insegurança alimentar e nutricional das populações negras e dos povos e comunidades tradicionais como componente da dívida histórica que tem com esses povos, para efeito de facilitação do acesso às políticas compensatórias e estruturantes de SAN[1];
  • O Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) como um dos direitos fundamentais da pessoa humana (Artigo 6° da Constituição Federal);
  • O patrimônio material e imaterial da diversidade cultural brasileira associados à diversidade biológica, em especial no que se refere ao legado da diáspora africana e aos modos de vida dos povos e comunidades tradicionais, expressos na utilização de plantas e alimentos tradicionais – suas formas de cultivo, manejo e preparo da gastronomia e nas práticas de cura.
Em novembro de 2006, a então Comissão Permanente 2 realizou, em Salvador/BA, o II Seminário Nacional “Segurança Alimentar e a População Negra”, com o intuito proporcionar aos representantes das populações negras o conhecimento das políticas de segurança alimentar e nutricional que tem sido implementadas no Brasil, bem como tornar essa população, no âmbito das ações governamentais, protagonista da construção de uma sociedade igualitária que busca, a partir de seu patrimônio afrodescendente, estratégias de superação das desigualdades e exclusão sociais visando assegurar o Direito Humano à Alimentação.
Os debates e as propostas apresentadas na III Conferência Nacional revelaram o amadurecimento da sociedade brasileira na compreensão sobre o tema. A participação da População Negra e das Comunidades tradicionais foi expressiva, sobretudo pelo fato de ter sido garantido cotas para a população negra e comunidades tradicionais em todos os estados brasileiros, permitindo uma maior inserção no debate nacional da segurança alimentar da população menos favorecida e sujeitas dos programas de compensação e de reconhecimento do Estado brasileiro. Essa participação permitiu a este segmento social uma conquista e um amadurecimento no debate, considerado uma boa notícia por muitos, porque é sinal de avançamos.
A realização da IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional se constitui numa importante referência no processo de implantação da Política e do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional. Constitui-se ainda, como um processo de formação e capacitação dos atores sociais envolvidos nesta implementação, dadas a sua capacidade mobilizadora. Trata-se de uma importante oportunidade para a População Negra, Povos e Comunidades Tradicionais avaliarem as instancias que compõem o SISAN, passados um ano da promulgação do decreto que instituiu a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e definiu as atribuições dos componentes do Sistema.
 O Encontro pretende ainda mobilizar representantes das comunidades quilombolas, comunidades de terreiro, movimento negro e diversas representações dos povos e comunidades tradicionais, com especial atenção para as mulheres, para uma avaliação das políticas e programas específicos para estes segmentos, em face das possibilidades e dos limites da ação governamental, tornando-se um marco na discussão da questão étnico racial e as políticas públicas de inserção social.
Por fim, tendo como elemento central da discussão a política nacional de segurança alimentar e nutricional e a construção do sistema nacional de segurança alimentar e nutricional, o Encontro visa, também, a aprovação de diretrizes para ações nos Estados e nas regiões do país tendo em vista a preparação da IV CNSAN.

 

II – JUSTIFICATIVA

São inúmeros os indicadores sociais que constatam que a desigualdade racial aparece como um fator preponderante de geração de insegurança alimentar e que, portanto, contribui para a fragilidade (precariedade) da situação sócio-econômica da população negra e dos povos e comunidades tradicionais. Não se trata, portanto, de algo circunstancial e fortuito, mas de um conjunto de fatores que conspiram para que a condição de vida das populações negras e povos e comunidades tradicionais permaneça em geral precária e, o que é pior, sem possibilidade de reversão num horizonte de curto prazo. É nesse contexto que as políticas de promoção da igualdade racial e as políticas voltadas aos povos e comunidades tradicionais – políticas valorizativas, políticas afirmativas, políticas de reforço de programas universais direcionadas às populações específicas, entre outras – surgem como relevante instrumento de reversão deste cenário perverso. A discriminação racial, em grande medida velada, a que se submete a população negra no Brasil contribui fortemente para exacerbação da situação de risco social e de miséria a que estão submetidas as maiores parcelas desta população. Este contingente está, portanto, intrinsecamente submetido a um componente adicional de segregação.
A contribuição dos programas de transferência de renda ao enfrentamento dos diferenciais das condições de vida tendo em vista o corte racial e as diferenças étnicas e de gênero, aparecem assim como algo fundamental. A eleição do contingente negro como um dos focos da ação destes programas constitui efetivo avanço em termos de suas possibilidades de êxito, eficiência e eficácia.
A iniciativa da realização do I Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional da População Negra e Povos e Comunidades Tradicionais irá estimular o trabalho conjunto entre o poder público, os Conseas Estaduais, os Conseas Municipais e as Lideranças das Comunidades Tradicionais Negras para identificar as necessidades e prioridades destas comunidades no que tange a segurança alimentar e nutricional no Brasil, promover a formação de líderes, sobretudo para a proposição de políticas públicas de inclusão social, utilizando a Cultura Negra como elemento norteador de efetivação da cidadania.

IV – OBJETIVOS

4.1. Objetivo Geral
Construir compromissos para efetivar o direito humano à alimentação adequada e saudável para a População Negra, Comunidades Quilombolas e demais Povos e Comunidades Tradicionais, e promover sua soberania e segurança alimentar e nutricional por meio da implementação da Política e do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) nas esferas de governo e com participação desses segmentos.

4.2. Objetivos Específicos
Ø  Analisar os avanços, as ameaças e perspectivas para a efetivação do direito humano à alimentação adequada e saudável e para a promoção da soberania alimentar para a população negra, comunidades quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais;
Ø  Apresentar recomendações para o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional a luz das diretrizes da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional;
Ø  Avaliar e fazer recomendações para avançar e qualificar o processo de implementação do SISAN nas três esferas de governo, visando o fortalecimento da intersetorialidade, da exigibilidade do direito humano à alimentação adequada e saudável e da participação e controle social da população negra, comunidades quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais;
Ø  Sensibilizar, mobilizar e comprometer os atores para a adesão ao SISAN e a construção do pacto de gestão pelo direito humano à alimentação adequada e saudável para população negra, comunidades quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais.

V – PÚBLICO

O encontro temático em tela tem como público os representantes dos seguintes segmentos:
-   População Negra
-   Pescadores
-   Povo de Terreiro
-   Quilombolas
-   Outros Povos e Comunidades Tradicionais
-   CONSEA Nacional (CP5)
-   CONSEA Estaduais
-   Órgãos Federais
-   Poder Público Local
-   Representação da Sociedade Civil Local
-   Entidades Nacional da população Negra
-   Entidades nacional das Populações Tradicionais

5.1. Quadro de Vagas

Articulador
Segmento

Vagas

Total
Conseas Estaduais
População Negra
26
145
Pescadores artesanais
26
Comunidades Quilombolas
26
Povo de Terreiro
26
Outros Povos e Comunidades Tradicionais
15
Conseas Estaduais
26
Consea Nacional
(CP5)
Governo Federal
25
61
CONSEA Nacional
15
Convidados da CP5/CONSEA NAC.
05
Pesquisadores e especialistas
10
Entidades Nacionais (Movimento Negro e Povos e Comunidades Tradicionais)
06
Consea-ES
Representação local do Movimento Negro e Povos e Comunidades Tradicionais
30
30
Poder Público Local
10
10
Total
 
246
246



V I - METODOLOGIA
O Encontro irá se desenvolver sob a forma de mesas de debates em três painéis com debates em plenária e grupos de trabalho focalizando, em todos os temas, a perspectiva gênero/étnico/racial e as aspirações da População Negra, Comunidades Quilombolas e Povos e Comunidades Tradicionais. Como resultado das discussões será elaborado um documento contendo as contribuições desses segmentos à IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

6.1 – Programação Provosória:
Horário
Atividade
08/08/2011 – segunda-feira
17h00
Credenciamento e Acolhida dos Participantes
19h00

Cerimônia de Abertura



09/10/2011 – terça-feira
08h00
Nivelamento (marcos legais, DHAA e instrumentos de exigibilidade, Terra e Território, etnodesenvolvimento, participação e controle social Consea, etc)
14h00
SISAN, Política e Plano Nacional de SAN
18h30
Trabalho de Grupos – por segmentos
20h00
Apresentação cultural
26/05/2011– Quinta-Feira
08h00
Balanço das políticas públicas de SAN para população negra, comunidades quilombolas e povos e comunidades tradicionais (painelistas do governo e debatedores da sociedade civil)
14h00
PLENÁRIA FINAL: presentação das sistematizações dos painéis e demais documentos produzidos no âmbito do Encontro para revisão e aprovação dos textos finais.

Observações:
1. Os participantes que puderem comparecer no dia 08, poderão fazer seu credenciamento no dia 09 pela manhã na secretaria do encontro.
2. A programação definitiva será divulgada após o dia 15 de junho.

VII – CONSIDERAÇÕES FINAIS
A diversidade cultural do Brasil é um dos principais elementos norteadores do processo de construção da identidade nacional. Apesar disso, diversos estudos, qualitativos e quantitativos, indicadores e outros instrumentos salientam a diferença de condições de vida e de oportunidade para os diferentes grupos étnico/raciais que compõem a nação brasileira.
O projeto “I Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional da População Negra e Povos e Comunidades Tradicionais” vem propor, o reconhecimento histórico sobre a importância da efetivação dos Direitos Fundamentais à Vida, e ainda formular estratégias para assegurar a efetivação do Direito Humano à Alimentação Adequada.



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